Redução dos juros nos empréstimos
faz crédito bater recorde em junho
Diminuição leve nas taxas fez com que os brasileiros pedissem mais grana emprestada
A leve redução nos juros médios dos empréstimos em junho fez com que os brasileiros pedissem mais dinheiro emprestado e financiassem mais os carros no semestre, segundo dados divulgados nesta terça-feira (27) pelo BC (Banco Central). Nos primeiros seis meses do ano, os pedidos de crédito bateram recorde e atingiram R$ 1,53 trilhão.
A taxa média de juros do crédito caiu pela primeira vez em três meses, tendo passado de 34,9% para 34,6% ao ano. Com isso, o resultado ajudou a diminuir em 1,1 ponto percentual o custo médio das taxas cobradas às famílias, situada em 40,4% ao ano. Para as empresas, no entanto, ficou mais caro pegar dinheiro emprestado, com as taxas passando de 26,9% ao ano para 27,3%.
O BC destaca a expansão dos financiamentos habitacionais, com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e poupança, e o desempenho do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), nos empréstimos voltados aos projetos de infraestrutura.
Os pedidos de financiamento para a compra do carro aumentaram 3% ao mês, o que significa que mesmo com a redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), os brasileiros continuam comprando o carro parcelado. O empréstimo pessoal cresceu 1,6% puxado pelos pedidos de crédito consignado, com desconto em folha.
As empresas também pediram mais dinheiro emprestado, um aumento de 2,3%, puxado pelos pedidos de capital de giro – quando a empresa precisa de grana para comprar matéria-prima para o negócio, por exemplo.
O spread bancário, que é a diferença do que os bancos cobram pelo dinheiro emprestado e o que “pagam” pelo dinheiro, nas operações a pessoas físicas recuou 1 ponto percentual no mês, acumulando baixa de 7,2 ponto percentual no ano.
Os bancos públicos são os que mais emprestam dinheiro para os brasileiros. A participação deles na concessão dos empréstimos aumentou de 41,7% em maio para 42,3% em junho, enquanto a dos bancos privados diminuiu - passou de 40,5% para 40,1%. Os bancos estrangeiros também ofereceram menos dinheiro na praça, tendo sido observada uma redução na participação de 17,8% para 17,6%.
Taxas médias
As taxas médias de juros bancários para as famílias tiveram queda em junho, após dois meses de alta, passando de 41,5% ao ano em maio, para 40,4% em junho. Para as empresas, no entanto, os juros seguem trajetória de alta há quatro meses e ficaram em 27,3% ao ano.
Apesar da queda dos juros, as taxas do cheque especial, estão entre os maiores praticados no mercado. Subiram de 160,3% em maio em abril para 165,1% ao ano em junho. No ano, os juros do cheque especial cresceram 6 pontos porcentuais. |